sexta-feira, junho 26, 2009

Futuros Amantes
(Chico Buarque)
Não se afobe, não
Que nada é pra já
O amor não tem pressa
Ele pode esperar em silêncio
Num fundo de armário
Na posta-restante
Milênios, milênios
No ar
E quem sabe, então
O Rio será
Alguma cidade submersa
Os escafandristas virão
Explorar sua casa
Seu quarto, suas coisas
Sua alma, desvãos
Sábios em vão
Tentarão decifrar
O eco de antigas palavras
Fragmentos de cartas, poemas
Mentiras, retratos
Vestígios de estranha civilização
Não se afobe, não
Que nada é pra já
Amores serão sempre amáveis
Futuros amantes, quiçá
Se amarão sem saber
Com o amor que eu um dia
Deixei pra você
terça-feira, junho 16, 2009

wikimedia.org/wikipedia/commo
Não me iludo
Tudo permanecerá
Do jeito que tem sido
Transcorrendo
Transformando
Tempo e espaço navegando
Todos os sentidos...
Pães de Açúcar
Corcovados
Fustigados pela chuva
E pelo eterno vento...
Água mole Pedra dura
Tanto bate
Que não restará
Nem pensamento...
Tempo Rei! Oh Tempo Rei! Oh Tempo Rei!
Transformai
As velhas formas do viver
Ensinai-me Oh Pai!
O que eu, ainda não sei
Mãe Senhora do Perpétuo Socorreeeeeeeei!...
sexta-feira, maio 01, 2009

Considerações sobre o Sono
Antônio Maria
A pessoa que dorme está inteiramente só.
*** Quando o homem dorme, o seu rosto se desmarca de todas as tramas e de todos os desgostos.
*** Nada enternece mais uma mulher que o rosto do amante, dormindo. *** Ela se debruça sobre a face do amado e descobre que eram simples palavras todas as valentias que ele lhe vinha dizendo ou dando a entender.
*** É quando a gente se parece menos com os mortos... é quando se está dormindo.
*** Quanto mais pobre mais comovente o ser humano que dorme.
*** No sono, a imobilidade das pessoas boas e confiantes é sempre desarrumada. *** Gente má dorme em posição de sentido. ***Cada travesseiro tem um lugar e uma importância definidos na vigência do sono. *** Não há nenhum abandono casual, nas pernas, nos braços ou na cabeça de quem dorme, porque o corpo realiza, desde que haja espaço, sua única posição realmente confortável.
*** Experimente descobrir na mulher que dorme a seu lado, um ser infinitamente decente, muito além de sua capacidade de fazer-lhe uma razoável justiça. *** Quanta luz nos corpos despidos das mulheres claras! *** Seria uma demasia de requinte ou de louvação, fazê-las dormir sobre lençóis negros?
*** A mais leve carícia de sua mão sobre o corpo da amada que dorme poderá quebrar a solidão do sono e a tranqüilidade da carne já não seria completa (contente-se em enternecer-se, sem tocá-la). *** Se for preciso despertá-la, que seja com ruídos aparentemente casuais.
*** Ah, que intensos ciúmes, no passado e no futuro, sobre a nudez da amada que dorme! Só você a viu, só você a verá assim tão bela!
*** Nas mulheres que dormem vestidas há sempre, por menor que seja, um sentimento de desconfiança.
*** A amada tem sob os cílios a sombra suave das nuvens. *** Seu sossego é o de quem vai ser flor, após o último vício e a última esperança.
*** Um homem e uma mulher jamais deveriam dormir ao mesmo tempo, embora invariavelmente juntos, para que não perdessem, um no outro, o primeiro carinho de que desperta. *** Mas, já que é isso impossível, que ao menos chova, a noite inteira, sobre os telhados dos amantes.
Rio, 17/1/1956
Texto extraído do livro "O Jornal de Antônio Maria", Editora Saga - Rio de Janeiro, 1968, pág. 42.
terça-feira, abril 28, 2009
Vida Bandida
Lobão na versão envenenada do funk'n lata
Chu..tou
A cara do cara caído, traiu
Traiu seu melhor, seu melhor amigo
Bateu , corrente , soco inglês e canivete
E o jornal não para de mandar
Elogios na primeira página
Sangue, porrada com funk’n lata!
Sangue, porrada com funk'n lata!
Vida!
Vida, vida, vidavida bandida
Vida! Vida, vida, vida vida bandida
Vida! Vida, vida, vida vida bandida
Vida!
É preciso viver malandro
assim
Não dá pra se segurar, não
a cana tá brava
E a vida tá dura
Mas um tiro só não vai me derrubar!
É preciso viver malandro
assim
Não dá pra se segurar, não
a cana tá bravaE a vida tá dura
Mas um tiro sá não vai me derrubar!
Vida!
Vida, vida, vidavida bandida
Vida! Vida, vida, vida vida bandida
Vida! Vida, vida, vida vida bandida
Vida!
Correr, com lágrimas
com lágrimas
Com lágrima nos olhos
Não é definitivamente pra qualquer um
Mas o riso corre fácil
Quando a grana corre solta
Vida!
Vida, vida, vida vida bandida
Vida!
Vida, vida, vida vida bandida
É preciso ver o sorriso da mina
Pra subida da
é só, é só, é sóde brincadeira
Ainda não inventaram
Dinheiro
Que eu não pudesse ganhar
ainda não inventaram
Dinheiro
Que eu não pudesse ganhar
Vida!
Vida, vida, vidavida bandida
Vida! Vida, vida, vida vida bandida
Vida! Vida, vida, vida vida bandida!
Cartola
Deixe-me ir
Preciso andar
Vou por aí a procurar
Rir prá não chorar...
Quero assistir ao sol nascer
Ver as águas dos rios correr
Ouvir os pássaros cantar
Eu quero nascer, quero viver...
Deixe-me ir
Preciso andar
Vou por aí a procurar
Rir prá não chorar...
Se alguém por mim perguntar
Diga que eu só vou voltar
Quando eu me encontrar...
Quero assistir ao sol nascer
Ver as águas dos rios correr
Ouvir os pássaros cantar
Eu quero nascer, quero viver...
Deixe-me ir
Preciso andar
Vou por aí a procurar
Rir prá não chorar...
Se alguém por mim perguntar
Diga que eu só vou voltar
Quando eu me encontrar.
Depois que eu me encontrar...
segunda-feira, abril 06, 2009
(Reginaldo Bessa)
O tempo não é , minha amiga aquilo que você pensou.
As festas, as fotos antigas as coisas que você guardou.
Os trastes, os móveis, as tranças, os vinhos, os velhos cristais.
As doces canções de criança, lembranças , lembranças demais.
O tempo não pára no porto, não apita na curva, não espera ninguém.
Você vem deitar no meu ombro querendo de novo ficar.
Eu olho e até me assombro como pode esse tempo passar.
O tempo é areia que escapa até entre os dedos do amor.
Depois é o vazio , é o nada, é areia que o vento levou.
O tempo não pára no porto, não apita na curva, não espera ninguém
O medo correndo nas veias deixou tanta vida pra trás
E a gente ficou de mãos cheias com coisas que não valem mais
E fica um gosto de usado naquilo que nem se provou
A gente dormiu acordado e o tempo depressa passou
O tempo não pára no porto, não apita na curva, não espera ninguém.
terça-feira, março 24, 2009
sábado, março 21, 2009
quinta-feira, março 19, 2009
Caetano Veloso canta, mas não sei se é dele...não sei nada ainda do que preciso saber.
Eu uso óculos escuros pras minhas lágrimas esconder
E quando você vem para o meu lado, ai, as lágrimas começam a correr
E eu sinto aquela coisa no meu peito
Eu sinto aquela grande confusão
Eu sei que eu sou um vampiro que nunca vai ter paz no coração
Às vezes eu fico pensando porque é que eu faço as coisas assim
E a noite de verão ela vai passando, com aquele seu cheiro louco de jasmim
E eu fico embriagado de você
Eu fico embriagado de paixão
No meu corpo o sangue não corre, não, corre fogo e lava de vulcão
Eu fiz uma canação cantando todo o amor que eu sinto por você
Você ficava escutando impassível e eu cantando do teu lado a morrer
E ainda teve a cara de pau
De dizer naquele tom tão educado
"Oh! pero que letra más hermosa, que habla de un corazón apasionado"
Por isso é que eu sou um vampiro e com meu cavalo negro eu apronto
E vou sugando o sangue dos meninos e das meninas que eu encontro
Por isso é bom não se aproximar
Muito perto dos meus olhos
Senão eu te dou uma mordida que deixa na sua carne aquela ferida
Na minha boca eu sinto a saliva que já secou
De tanto esperar aquele beijo, ai, aquele beijo que nunca chegou
Você é uma loucura em minha vida
Você é uma navalha para os meus olhos
Você é o estandarte da agonia que tem a lua e o sol do meio-dia
Eu uso óculos escuros pras minhas lágrimas esconder
E quando você vem para o meu lado, ai, as lágrimas começam a correr
E eu sinto aquela coisa no meu peito
Eu sinto aquela grande confusão
Eu sei que eu sou um vampiro que nunca vai ter paz no coração
Às vezes eu fico pensando porque é que eu faço as coisas assim
E a noite de verão ela vai passando, com aquele seu cheiro louco de jasmim
E eu fico embriagado de você
Eu fico embriagado de paixão
No meu corpo o sangue não corre, não, corre fogo e lava de vulcão
Eu fiz uma canação cantando todo o amor que eu sinto por você
Você ficava escutando impassível e eu cantando do teu lado a morrer
E ainda teve a cara de pau
De dizer naquele tom tão educado"Oh! pero que letra más hermosa, que habla de un corazón apasionado"
Por isso é que eu sou um vampiro e com meu cavalo negro eu apronto
E vou sugando o sangue dos meninos e das meninas que eu encontro
Por isso é bom não se aproximar
Muito perto dos meus olhos
Senão eu te dou uma mordida que deixa na sua carne aquela ferida
Na minha boca eu sinto a saliva que já secou
De tanto esperar aquele beijo, ai, aquele beijo que nunca chegou
Você é uma loucura em minha vida
Você é uma navalha para os meus olhos
Você é o estandarte da agonia que tem a lua e o sol do meio-dia.
EN PASSANT.
En passant
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
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A captura en passant (do francês, na passagem) é uma captura especial de peões no jogo de xadrez. O peão pode andar duas casas na primeira vez que se move. Entretanto, os peões adversários podem capturar o peão que anda duas casas como se este tivesse andado apenas uma casa, caracterizando uma captura en passant.
ÚIA!
quinta-feira, março 12, 2009
Piaba de Ouro
Composição: Lula Queiroga e Erasto Vasconcelos
Hoje eu não quero saber
Hoje eu não sei de nada
Eu só quero escutar esse baque
Que faz o meu corpo arrepiar
É de maracatu é de jóia rara
É o meu pernambuco de pé
Quero subir para ver
Caboclo de lança no alto da sé
Olha quem vem lá
Olha quem vem lá
Quê bonito ver
A moça que ginga no baque solto
No baque virado
Piaba de ouro eu quero ver





