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sábado, fevereiro 06, 2010


terça-feira, dezembro 08, 2009
sábado, novembro 21, 2009
(Paz... Paz...)
Agora escutem:
Relaxem o corpo
Descontraiam-se totalmente
Calmamente vamos nos condicionando para uma proveitosa prática
E pensem que estão absorvendo paz, alegria, serenidade e pureza junto com o oxigênio inspirado.
Retenham o ar e imaginem que o oxigênio absorvido está passando para o sangue.
Para promovermos a desintoxicação geral
De todas as células do nosso organismo,
Para regularizarmos as funções de todos os órgãos de nosso corpo
E, principalmente, para re-equilibrarmos
De maneira completa e definitiva o nosso sistema nervoso
Essa deliciosa sensação que vocês agora estão sentindo,
Alegria, ternura, serenidade, otimismo, euforia...
E, às vezes, um delicioso sono...
Durmam se tiverem vontade!
Deliciosos estados da alma [?]
Sublimes estados íntimos de paz, alegria
Agora escutem...
sexta-feira, novembro 20, 2009
essa ferrugem de fios tensos entre os homens:
revelando intimidades possíveis;
Transnudando cores,
o fôlego contínuo da existência
como o deserto que dorme no fundo de um oceano
o arame que insiste no poema estanque
...a violência da delicadeza
do Nós, Por exemplo, Belo horizonte, Minas gerais.
quarta-feira, outubro 14, 2009
Mundo Livre S/A
This is not the music
This is not
Essa não é a musica
Que os arcebispos ouvem
Quando estão fornicando
Esta não é a música
Que as enfermeiras ouvem
Quando estão matando
Qual será esta música?
Quem ouvem esta música?
Pra que serve esta música?
Esta não é a música
Que os jornalistas ouvem
Quando estão mentindo
Esta não é a música
Que os suicidas ouvem
Quando estão caindo
(Laing, Chessman... farão
música pop
Warhol, Kubrick ... farão
vídeo clips
Sandino, Marcos... milhões de heróis se acotovelam em nossas
telas e nós os velamos em nossassalas chupando balas)
quarta-feira, agosto 26, 2009
Ferreira Gullar
Morta
Flutua no chão
galinha.
Não teve mar, nem
quis, nem compreendeu aquele ciscar quase feroz. Cis-
cava. olhava o muro. Aceitava-o negro e absurdo.
Nada perdeu. O quintal
não tinha
qualquer beleza.
Agora
as penas são só o que o vento roça,leves.
Apagou-se-lhe toda cintilação, o medo.
Morta.Evola-se do olho seco
O sono. Ela dorme.
Onde? Onde?
sexta-feira, junho 26, 2009

Futuros Amantes
(Chico Buarque)
Não se afobe, não
Que nada é pra já
O amor não tem pressa
Ele pode esperar em silêncio
Num fundo de armário
Na posta-restante
Milênios, milênios
No ar
E quem sabe, então
O Rio será
Alguma cidade submersa
Os escafandristas virão
Explorar sua casa
Seu quarto, suas coisas
Sua alma, desvãos
Sábios em vão
Tentarão decifrar
O eco de antigas palavras
Fragmentos de cartas, poemas
Mentiras, retratos
Vestígios de estranha civilização
Não se afobe, não
Que nada é pra já
Amores serão sempre amáveis
Futuros amantes, quiçá
Se amarão sem saber
Com o amor que eu um dia
Deixei pra você
terça-feira, junho 16, 2009

wikimedia.org/wikipedia/commo
Não me iludo
Tudo permanecerá
Do jeito que tem sido
Transcorrendo
Transformando
Tempo e espaço navegando
Todos os sentidos...
Pães de Açúcar
Corcovados
Fustigados pela chuva
E pelo eterno vento...
Água mole Pedra dura
Tanto bate
Que não restará
Nem pensamento...
Tempo Rei! Oh Tempo Rei! Oh Tempo Rei!
Transformai
As velhas formas do viver
Ensinai-me Oh Pai!
O que eu, ainda não sei
Mãe Senhora do Perpétuo Socorreeeeeeeei!...
sexta-feira, maio 01, 2009

Considerações sobre o Sono
Antônio Maria
A pessoa que dorme está inteiramente só.
*** Quando o homem dorme, o seu rosto se desmarca de todas as tramas e de todos os desgostos.
*** Nada enternece mais uma mulher que o rosto do amante, dormindo. *** Ela se debruça sobre a face do amado e descobre que eram simples palavras todas as valentias que ele lhe vinha dizendo ou dando a entender.
*** É quando a gente se parece menos com os mortos... é quando se está dormindo.
*** Quanto mais pobre mais comovente o ser humano que dorme.
*** No sono, a imobilidade das pessoas boas e confiantes é sempre desarrumada. *** Gente má dorme em posição de sentido. ***Cada travesseiro tem um lugar e uma importância definidos na vigência do sono. *** Não há nenhum abandono casual, nas pernas, nos braços ou na cabeça de quem dorme, porque o corpo realiza, desde que haja espaço, sua única posição realmente confortável.
*** Experimente descobrir na mulher que dorme a seu lado, um ser infinitamente decente, muito além de sua capacidade de fazer-lhe uma razoável justiça. *** Quanta luz nos corpos despidos das mulheres claras! *** Seria uma demasia de requinte ou de louvação, fazê-las dormir sobre lençóis negros?
*** A mais leve carícia de sua mão sobre o corpo da amada que dorme poderá quebrar a solidão do sono e a tranqüilidade da carne já não seria completa (contente-se em enternecer-se, sem tocá-la). *** Se for preciso despertá-la, que seja com ruídos aparentemente casuais.
*** Ah, que intensos ciúmes, no passado e no futuro, sobre a nudez da amada que dorme! Só você a viu, só você a verá assim tão bela!
*** Nas mulheres que dormem vestidas há sempre, por menor que seja, um sentimento de desconfiança.
*** A amada tem sob os cílios a sombra suave das nuvens. *** Seu sossego é o de quem vai ser flor, após o último vício e a última esperança.
*** Um homem e uma mulher jamais deveriam dormir ao mesmo tempo, embora invariavelmente juntos, para que não perdessem, um no outro, o primeiro carinho de que desperta. *** Mas, já que é isso impossível, que ao menos chova, a noite inteira, sobre os telhados dos amantes.
Rio, 17/1/1956
Texto extraído do livro "O Jornal de Antônio Maria", Editora Saga - Rio de Janeiro, 1968, pág. 42.








